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  • Willy Hagi

O pior ar para se respirar está na Amazônia.

É comum ouvir que a Amazônia é o pulmão do mundo. Embora essa atribuição nobre não seja um fato científico, o pensamento normal das pessoas assume naturalmente que o ar que se respira na Amazônia deve ser limpo a todo e qualquer momento.


Antes de falar da poluição do ar amazônico em si em tempos recentes, é necessário nomear a sua causa primária: a enorme quantidade de queimadas só no último mês. Foram mais de 30 mil focos de detectados na floresta, sendo mais de 3 mil apenas ao longo do dia 22 de Agosto.


Esse foi o novo Dia do Fogo na Amazônia, que superou o velho Dia do Fogo em Agosto de 2019, quando desmatadores se uniram para queimar áreas vegetadas de forma coordenada e planejada dentro do município paraense de Novo Progresso, como uma maneira de angariar o apoio do atual Governo Federal.


Os mais de 30 mil focos de queimadas concentraram-se nos locais que sempre costumam figurar nas primeiras posições desse ranking negativo. Os municípios paraenses de Altamira, São Félix do Xingu e o já citado Novo Progresso formaram o pódio, seguidos por Apuí (AM) e Porto Velho (RO). Uma curiosidade é que Agosto foi o primeiro mês desde o início da atual estação de queimadas na Amazônia em que um município do Acre entrou no top 10. Foi o caso de Feijó, com seus quase 1000 focos.



Um dos resultados da queima é a deterioração da qualidade do ar em muitos locais da Região Norte. Infelizmente, há um enorme vazio em questão de monitoramento e registros in situ de qualidade do ar na Amazônia, o que faz com que as poucas estações ativas sejam de grande valia. Em Manaus, os registros mostram a passagem de uma enorme pluma de poluição a partir do dia 19 de Agosto que deixou a cidade tomada pela fumaça.


Em Porto Velho, a situação desandou de vez. O ar super poluído da capital rondoniense virou notícia e chegou a ser considerado em certo momento como o pior ar para se respirar no mundo inteiro, com os registros mostrando mais de 300 µg/m³ no dia 26 de Agosto. Para fins de comparação, 25 µg/m³ seria o valor máximo para o ar ser considerado limpo, com 50 µg/m³ no limite do aceitável. A partir daí, os níveis de poluição passam a ser consideravelmente prejudiciais para a saúde de qualquer pessoa, em especial os que já possuem problemas respiratórios de qualquer natureza.



Os dados reforçam a situação de calamidade pela Amazônia. A tendência é de agravamento ao longo dos próximos momentos da atual estação de queimadas, antes do período chuvoso começar em meados de Outubro e Novembro. Uma das perguntas que podemos fazer é: o que vai sobrar da floresta até lá?